Home do site » Notícias » Interessante pra Você » Slow Nutrition: movimento prega comer com calma e cortar industrializados
Slow Nutrition: movimento prega comer com calma e cortar industrializados


Data: 28/07/2017
Fonte: http://vogue.globo.com/beleza/fitness-e-dieta/noticia/2017/05/slow-nutrition-movimento-prega-comer-com-calma-e-cortar-industrializados.html

BE nutrition

Esqueça as dietas da moda. Na contramão dos modismos nutricionais e da correria dos tempos modernos, um movimento que prega uma alimentação saudável, sem industrializados e, mais importante, feita "com calma" ganha forças: conheça o Slow Nutrition.

Criado pela nutricionista Bruna Vilela, o método coloca em jogo a questão a atual dinâmica do mundo: "as pessoas estão sempre correndo, porém nada deveria ser feito com pressa, principalmente quando falamos do nosso corpo e da nossa saúde", diz. Bruna acredita não só no resgate do tempo, com consultas em que o paciente pode falar, sem pressa, sobre suas vontades, anseios, problemas, com uma escuta cuidadosa e respeitosa, mas também na adaptação alimentar de cada um, sempre priorizando a comida de verdade, já que ela acredita na cura pelos alimentos. Descubra mais sobre o movimento na entrevista a seguir:

O que é a Slow nutrition? É a mesma filosofia do Slow Food?
Após conhecer Slow Medicine e Slow food, viajar bastante e aprender sobre nutrição ao redor do mundo como Itália, Japão, Oriente Médio e Tailândia, resolvi nomear minha forma de trabalho e introduzir no Brasil o Slow Nutrition. É um movimento contrários aos tempos de correria. É necessário falar, entender como um todo mas acima de tudo, é necessário ouvir. E isso gera tempo e consultas longas (nunca menor do que 2 horas). Muitas vezes o paciente muda a forma de pensar com uma simples indagação. Slow nutrition faz parar pra pensar e sair do automático. Desde que me formei já comecei atendendo assim, com consultas longas. Fiz duas entrevistas de trabalho na vida, pra trabalhar em clínicas grandes e famosas no Rio. Ambas me falaram que não era rentável e sustentável atender assim e que teria que mudar pra 50 minutos. Não aceitei e montei meu próprio consultório. Mudar hábito de outra pessoa é algo muito forte e em 30 minutos como alguns profissionais, considero impossível e acho que é por isso que tem tantas pessoas que desistem das dietas. Tem algo por trás e muito maior do que tem um corpo sociavelmente aceito.

Quais as orientações da dieta?
É ideal que a alimentação seja a mais natural possível. Costumo usar a máxima “descasque mais, desembale menos.” Claro que industrializados vieram para facilitar nossa vida e a grande maioria, inclusive eu, não consegue exclui-los totalmente da dieta, mas eles não devem ser a base da alimentação. Nem eles, nem grãos geneticamente modificados, refinados... Prezo pela comida ancestral, essa que nossos bisavós chamavam de comida, com a gordura natural dos alimentos. Aliás, o medo da gordura passa a não existir mais na primeira consulta. Precisamos resgatar a comida natural, regional, sazonal. O conceito de comida de verdade serve pra todos, em alguns casos só restrinjo alguns alimentos para um resultado corporal mais satisfatório, já que trabalho com um publico bem exigente que chega no consultório falando “doutora, quero uma barriga sarada igual a sua.”


Você atende a Fernanda Souza. Ela aderiu a Slow Nutrition?
Atendo a Fernanda Souza há algum tempo e sempre tivemos uma boa conversa com longas explicações de como o corpo funciona. É necessário saber o que os nomes estranhos e siglas de alguns industrializados fazem, isso muda a forma de querer aquele alimento. Por exemplo, quando você pensa num biscoito recheado só como calorias, fica fácil pensar no depois e treinar para queimar. Mas quando você sabe dos xenobióticos presentes e entende que isso pode inflamar células e que juntando com outros hábitos pode ser o causador da celulite ou da pele que não tá legal há tempos, além de ser responsável por outras doenças mais sérias, a forma de pensar muda. O interesse diminui.

A filosofia prega uma alimentação sem pressa. Quais as dicas você dá aos seus pacientes para conseguir driblar a rotina intensa e seguir este estilo de vida?
Quando você come de forma lenta, prestando atenção no que está consumindo, saindo do automático, priorizando comida de verdade os benefícios são imensuráveis. Várias doenças são relacionadas com a alimentação, várias dores são evitáveis quando comemos o que é ideal para nós, sempre respeitando a individualidade bioquímica de cada um.

Como seria o cardápio perfeito?
No cardápio perfeito comemos quando temos fome e até a saciedade, e  horas de jejum são permitidas. Priorizamos orgânicos e preferimos frutas no lugar de sucos .Temos ovos caipira e frutas da época no café da manhã, salada, legumes feitos de diversas (e gostosas!) formas e alguma proteína animal, mesmo com a gordura natural. Wafflee feito com farinha de amêndoas com café preto ou abacate ou castanhas ou várias outras receitinhas que disponibilizo podem  fazer parte do lanche da tarde e no jantar o mesmo que o almoço ou uma salada com proteína e muitos ingredientes da lista dos super foods. Claro que ninguém começa nesse nível. Costumo falar que dieta é evolução, esse é o protocolo avançado, em geral pego leve no começo.


Existe contra  indicações para seguir o Slow Nutrition?
Não existe contra indicação pro ser humano comer a comida que passou milhares de anos comendo, mas há uns 100 anos vem sendo modificado bruscamente. Comida de verdade, Low Carb High Fat e Paleo podem estar em pauta agora, mas modinha mesmo foi inserir light e diet na alimentação da população a fim de emagrecer e ser mais saudável. Estou apenas tentando resgastar o que sempre esteve aí, só que agora com o nome Slow Nutrition  e com um foco maior na estética.

Os medicamentos sob prescrição só serão dispensados mediante a apresentação da receita e o meio pelo qual deve ser apresentada ao estabelecimento.